Ensaios sobre o mundo moderno

A ausência de regras e princípios não liberta ninguém, pelo contrário condena o ser humano a ser escravo de si mesmo e de suas vontades.

Por fatos históricos e fatores diversos da atual situação da humanidade, basta observar nossos comportamentos que fica fácil perceber que nossa natureza é perversa e sombria. O que nos limita ou rege nossos comportamentos, são alguns elementos estabelecidos ao longo da história, que trazem certo “controle” ao convívio humano. Os “freios” sociais e culturais, o conjunto de leis humanas, acreditar na continuidade da vida após nossa passagem por aqui e a crença em um ser divino, são parte desses limitadores. Sem isso, seríamos apenas bárbaros vivendo na selva sem limites. Já imaginou isso?

É a percepção ou convicção das consequências dos nossos atos que nos bloqueia de agir sem limites.

Vivemos dias em que as novas gerações enaltecem o excesso de liberdade e a falta de regras, lutando contra o que muitos chamam de conservadorismo. Esse é um termo que ganhou destaque muito em função de um outro bastante usado, o progressismo. Antagônicos, estes dois termos tem causado diversos debates políticos, sociais e culturais e tem dividido a sociedade entre quem acredita e é adepto mais de um ou do outro.

Reparem nas estruturas dessas palavras e vejam como são antagônicas e passam uma sensação completamente equivocada da sua real utilização nos dias atuais.

  • Conservadorismo: erroneamente associado ao retrocesso.
  • Progressismo: erroneamente associado ao que é moderno.

Enquanto o conservadorismo, no geral, defende que a sociedade se mantenha guiada por regras e padrões que gerem valores e propícios pautados em questões que misturam, em alguns casos, até mesmo a religião, bons costumes, família, entre outros, o progressismo, em linhas gerais, dita que o ser humano progrida e se aperfeiçoe na busca pela satisfação plena e independente de qualquer questão. O ponto perigoso nesse modelo pregado pelos progressistas de hoje, está no desejo de deixar em aberto muitos princípios e valores básicos da convivência social, biológica e até moral, justificando essas práticas na suposta liberdade de evolução do comportamento e da natureza humana.

Mas lembra que falei que a nossa natureza é naturalmente perversa e sombria? Agora imagine um ser humano sem limites sociais e regras básicas, onde prevaleça a saciedade daquilo que lhe convém aos desejos sem controle!

O progressista defende que o ser humano evolua de forma revolucionária a qualquer custo, pregando a liberdade em todos os sentidos. Porém, ninguém diz dessa forma, pois assustaria. Tudo é posto de forma velada e empacotada em discursos “amorosos” e em defesa de certas “minorias” que eles mesmo criaram para atender aos seus propósitos escusos.

O conservador é mais atento aos possíveis efeitos colaterais dessa falta de freios e se apega aos modelos já pré-estabelecidos, sendo mais cuidadoso com a adesão a certas práticas mais alinhadas ao progressismo desenfreado. É claro que isso também tem consequências ruins, pois, muitos, os radicais, acabam confundindo e freando exageradamente o progresso (não o progressismo), por medo do que pode vir.

Hoje, as ideologias políticas tomaram conta de ambas as formas de pensar e tomam para si o monopólio da virtude, manipulando o debate público, distorcendo ambos os lados, o que criou uma polarização maléfica na sociedade. Não sejamos inocentes, isso é feito de forma sistematicamente planejada. Dividir o povo é uma estratégia antiga, que facilita a concentração do poder naqueles que pretendem agir como governantes soberanos.

Entendo que ambos tem lados bons e ruins e o homem (ser humano), na sua essência, tende a distorcer aquilo que quer para relativizar e manipular crenças em função dos seus interesses pessoais. Mais uma vez, é a nossa natureza sombria atuando. E aqui, essa atuação é bem maldosa em muitos casos, pois a relativização proposital convence muita gente mais inocente e sem acesso a uma educação mais abrangente. No filme “Eu sou a lenda” essa manipulação fica clara na intenção do vilão em usar os ensinamentos da Bíblia a seu favor, para controlar as pessoas. Um dos efeitos disso é a criação de uma falsa imagem distorcida e maléfica dos ensinamentos contidos no livro dos livros, criando uma certa aversão a ele, por aqueles que não entendem seu conteúdo.

Porém, um fato é observável: com o crescimento do progressismo e a doutrinação política dos últimos anos, é possível perceber uma mudança drástica nos valores e princípios que regem o convívio em sociedade e que tem resultado em comportamentos extremamente prejudiciais à convivência humana, já bastante conturbada desde inicio da vida em sociedade.

A falta de limites e a desvalorização da vida, tem levado adultos, jovens e crianças ao descontrole emocional e social, refletindo no triste aumento da violência com a qual já convivemos desde que nos entendemos por gente e que, recentemente, vem aumentando exponencialmente e tomando conta dos ambientes acadêmicos e escolares. É certo que a inversão de valores provoca comportamentos imprevisíveis e violentos, partindo daqueles que já não tiveram uma base sólida e coerente com a vida em sociedade na construção de sua personalidade.

O descontrole social e comportamental, a falta de limites, somado à percepção de que não há consequências dos atos perpetrados, tem sequestrado o psicológico das pessoas e pode ser responsável pelos altos índices de insatisfação, depressão, ansiedade e outros males ainda piores presentes na sociedade atual. Basta observar a linha do tempo nos últimos 100 anos, para perceber a piora nos indices de violência e uma certa dissolução do convívio social e do espirito de comunidade.

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Fonte: IPEA – taxa de homicídios de 1984 à 2017

Este gráfico ilustra bem o aumento da taxa de homicídios, que é apenas um dos possíveis indicadores do aumento da violência. E estamos falando apenas de algo próximos dos últimos 20 anos.

A “base científica” do progressismo

A ciência, uma das “bases” da narrativa do progressismo esquerdista, tem como regra a tratativa de hipóteses a experimentações, sendo a refutação uma possibilidade de contradição. E é isso que torna a ciência algo valoroso, a ausência de verdades absolutas, desde que possam ser verificadas teses diferentes da inicial. Porém, tem se tornado cada vez mais comum, que as pessoas utilizem a ciência como “muleta” para justificar comportamentos cada vez mais prejudiciais para si e para o convívio em sociedade.

A base mais antiga e coerente da ciência, a hipótese, vem sendo substituída pela “certeza comprovada cientificamente” e mesmo que se mostre resultados terríveis de algumas práticas, a frase clássica vem a tona: “mas isso já foi comprovado cientificamente”, criando uma barreira para visões diferentes em defesa daquilo que é de interesse de alguém ou de certos grupos. É o sacrifício da ciência em função daquilo que for mais conveniente ser dito, afim de convencer aqueles mais suscetíveis ao discurso aveludado dos monopolizadores da “virtude”.

A contribuição da imprensa “livre”

A grande mídia tradicional também tem contribuído muito para a disseminação de comportamentos mais alinhados ao progressismo e levado pessoas que não compreendem como essa dinâmica funciona, a acreditar em tudo que se fala apenas pela “credibilidade” de certos meios de comunicação e até de personalidades jornalísticas tradicionalmente conhecidas no Brasil e no mundo. Certos grupos de comunicação manipulam e distorcem a realidade por interesses escusos e financeiros que só servem aos seus propósitos e planos para se manterem hegemônicos e, para além disso, promover suas expansões monopolistas e domínio dos segmentos de comunicação, como já fazem há décadas no Brasil e também mundo afora.

Mais recentemente, essa poderosa máquina manipuladora chamada popularmente de “grande mídia”, vem apoiando causas que apontam como sendo benéficas para a sociedade. Porém, o intuito real é continuar podendo se vender a preço de ouro para os políticos que compram “cotas” de “boas notícias” e “boas imagens” de si, a serem estampadas nas capas e primeiras páginas de suas publicações tendenciosas. As redes sociais, modelo mais atual da disseminação de informações e fonte de questionamentos e controvérsias das “verdades” publicadas pelos meios de comunicação tradicionais, vem sofrendo grandes ataques embasados pelas chamadas “fake news”, que ganharam força no Brasil próximo as eleições de 2018, com o intuito de acusar candidatos de oposição ao status quo da política brasileira até então. Notícias falsas sempre existiram e sempre vão existir! Lembra da nossa natureza? Claro, isso não quer dizer que seja algo para não se combater, faltar com a verdade sempre é algo muito ruim. No entanto, não se pode romper com os devidos processos legais, justificando um erro com outro. E já existem mecanismos legais na nossa constituição e legislação civil, prevendo a possibilidade de processos nestes casos.

Antes na surdina, hoje é descarado…

A agenda progressista existe há décadas e até então com ações mais reservadas e silenciosas, porém, tem se intensificado recentemente e por ser um modelo adotado pelas ideologias políticas mais orientadas à esquerda, se tornaram pautas dessas pessoas, incluindo ações supostamente direcionadas às minorias, onde se pretende compor a defesa daqueles que são “oprimidos” por condições diversas, associadas à questões que vão desde a etnia, até a sexualidade. A esquerda sequestrou diversos temas para si, se apossando do direito de debater com exclusividade todos eles, excluindo dessa conversa, que deveria ser pública e aberta, inclusive com opiniões contrárias, qualquer um que discorde da visão de mundo deles.

O grande problema nessa questão toda do envolvimento da política nessas ideologias, é que de fato nenhum político aspirante a ditador ou pessoas ligadas a este tipo de política estão realmente interessadas nas discussões centrais desses movimentos levantados pelas chamadas minorias. Essas pessoas são apenas usadas para criar uma “cortina de fumaça” em torno da real motivação deles, que é a perpetuação do estado de poder político e da capacidade financeira e influenciadora que esse poder traz. Nenhum “poderoso” que deseja o absolutismo, se preocupa se as pessoas estão fazendo suas refeições corretamente, se estão sendo aceitas como são, se tem casa pra morar, se estão seguras, se tiveram a educação adequada ou qualquer coisa que possa tornar a vida melhor. Eles apenas se apoderam desse discurso para ganhar a confiança dessas pessoas. Sendo bem direto, para quem almeja apenas o poder e suas benesses, cada uma dessas coisas entra em seu discurso apenas para convencer os menos favorecidos, mas não há em suas prioridades a tratativa real delas. Quando ganham o poder, abandonam ou amenizam a fala, agindo apenas em função de colocar em prática seu plano de perpetuação no poder.

Conclusão

Cabe a nós, cidadãos, abandonar a ideologia, as emoções e paixões políticas como cerne das nossas decisões e olhar para os acontecimentos, tanto atuais, quanto os históricos. Analisar dados e fatos, despindo-se de qualquer “tendenciosismo” político ou ideológico, para que não coloque vendas os lupas em situações isoladas.

Cabe a nós, como cidadãos conscientes que precisamos ser, escolher líderes que possam trazer crescimento para o nosso país e para nossa sociedade, visando um futuro melhor para as gerações futuras. Não da para viver sem limites, não dá para viver de vitimismos, não dá para viver de sonhos apenas. O Brasil, e posso incluir o mundo, precisa de governantes com bons históricos de vida e que tenham no seu passado e no presente a evidencia de uma vida em retidão e respeito às regras e à ética, que de fato façam algo por aqueles que o escolheram para os representar. E, mesmo discordando, que se façam também pelos que não escolheram sem sentimentos de vingança, sem revanchismos, sem perseguição política e sem hipocrisia. E que, acima de tudo, possa demonstrar sinceridade de alma e paz de espirito.

Espero que este texto te alcance de alguma forma e possa trazer luz e paz a sua consciência.

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